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Alimentar-se representa muito mais que apenas ingerir carboidratos, lipídios, proteinas, vitaminas e minerais. Significa relação social, afinal as pessoas comemoram, prazer, indulgencia etc. Neste Blog temos por objetivo discutir todas as faces dos nutrientes e como podemos estabelecer uma ingestão alimentar saudável sem abrir mão do prazer. Com isso pretendemos propor a você pequenas mudanças que farão diferenças importantes na sua vida, venha conosco.

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23/04/2010

Leite na idade adulta. Mitos e Fatos.

Tenho visto muitos pacientes deixarem de tomar leite ao se tornarem adultos. O argumento utilizado é que “animais mamíferos adultos não são capazes de digerir mais o leite, portanto, com os humanos adultos, geneticamente, deve acontece o mesmo .”

  O fenômeno em questão chama-se hipolactasia do tipo adulto (deficiência da enzima que digere o açúcar do leite, a lactase). Trata-se de uma das manifestações determinadas por um polimorfismo genético específico; a outra manifestação determinada por esse polimorfismo é justamente o que chamamos de “persistência da lactase”.  Polimorfismo genético são variações no número e no tipo de mutações estáveis no DNA, ou seja, os mesmos genes podem expressar fenótipos diferentes para o que ele codifica, numa determinada população. Assim o gene que determina o funcionamento da lactase pode expressar um fenótipo de deficiência ou de persistência.

Curiosamente, o fenótipo dominante é justamente o de “persistência” da lactase na idade adulta, apesar de ser considerado o fenótipo mutante (diferente). Sendo assim, a maioria dos adultos humanos não têm dificuldades de digestão da lactase e para esses indivíduos não há razão para se tirar o leite da dieta. A quantidade de cálcio encontrada no leite é bastante significativa, e não bastasse isso, sua biodisponibilidade é alta, comparado a outras fontes vegetais de cálcio como feijões, por exemplo.  Aqui, vale lembrar que o cálcio de fontes vegetais tem sua biodisponibilidade alterada por presença de fatores anti-nutricionais como fitatos, oxalatos e presença de fibras, etc. Mesmo assim, podemos encontrar fontes de cálcio vegetais muito interessantes. O queijo também é rico em cálcio, mas possui o inconveniente de apresentar altas taxas de gordura, na grande maioria dos tipos.

Considerando que as recomendações atuais de cálcio são muito altas para alguns grupos populacionais como mulheres , é importante o consumo desse alimento na dieta habitual.  Exemplo: as mulheres necessitam de 1000 a 1300 mg de Cálcio ao dia para suprir as necessidades determinadas por recomendações internacionais. Um copo de leite tem aproximadamente 240 mg.  Essa quantidade de leite poderia ser substituída, por exemplo, por 150g de tofu com cálcio ou 320g de brócolis (aproximadamente 10 flores) para se obter a mesma quantidade de cálcio. Na impossibilidade desses, um profissional da área de nutrição saberá indicar boas alternativas alimentares e avaliará a necessidade ou não de uma eventual suplementação desse mineral, para se evitar problemas futuros como osteoporose e osteopenia (ossos fracos), entre outros .

Conclusão: como foi dito anteriormente em outros tópicos, uma dieta equilibrada consiste em consumir alimentos variados, dos mais diferentes grupos alimentares, sem a exclusão de alimentos específicos desnecessariamente. Afinal, somos animais onívoros, ou seja, consumimos alimentos de origem animal e vegetal, biologicamente falando.

 

Para saber mais:

Adult-type hypolactasia and regulation of lactase expression. Troelse, JT. Bioch Biophys Acta, vol 1723, n. 1-3, pag. 19-32, 2005.

Biodisponibilidade do cálcio dietético. Buzinaro, EF et al. Arqu Bras Endocrinol Metab, (50)5: pag. 852-861, 2006.




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Patrícia Campos-Ferraz

Nutricionista da NUTRIAID

 

 

 

Por Patrícia L. C. Ferraz às 17h57

20/04/2010

Brasileira obesa tem dieta similar a do americano: rica em gordura e pobre em carboidratos, o que leva ao sobrepeso

Estudo realizado com mulheres obesas brasileiras aponta como principais causas da obesidade o alto consumo de gordura na dieta e sedentarismo. O trabalho traz indícios de que retirar o carboidrato da dieta não vai promover de forma eficiente o emagrecimento, mas muitas vezes pode ter efeito contrário, resultando em maior ingestão de gordura e proteína. Além disso, ele mostra que a alimentação deste grupo se assemelha muito com o padrão de ingestão da população obesa americana.

 
A pesquisa intitulada Obesidade e resistência à ação da insulina: alterações moleculares, bioquímicas e estruturais, desenvolvida no Programa de Biologia Celular e Tecidual do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, corrobora os dados encontrados na literatura científica mundial.
 
Buscando entender os mecanismos da obesidade feminina, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) reproduziram em laboratório um modelo experimental para estudar os efeitos das dietas ricas em gorduras (hiperlipídicas) sobre a regulação do metabolismo e o desenvolvimento do diabetes tipo 2 como conseqüência da obesidade.
 
Inicialmente, em 1997, realizamos estudo com mulheres obesas pré-menopausa com intuito de avaliar qual era o padrão alimentar desta população. Identificamos então que as mulheres consumiam quase 40% do valor energético diário total em gordura, além disso, possuíam o hábito de praticar uma quantidade menor de refeições diárias, acreditando ser essa uma solução para o emagrecimento.  Outro fator preocupante está no fato de que esta população consumia muita gordura saturada, cerca de 45% do total de gordura ingerida na dieta.
 
Evidências sugerem que a prevalência do sobrepeso e da obesidade tem aumentado em taxas alarmantes, tanto nos países desenvolvidos, como nos países em desenvolvimento. Cerca de dois terços da população adulta americana, por exemplo, demonstra sobrepeso, ou já obesidade. No caso do Brasil, as mudanças demográficas, sócioeconômicas e epidemiológicas ao longo do tempo permitiram que ocorresse a denominada transição nos padrões nutricionais, com a diminuição progressiva da desnutrição e o aumento da obesidade. As consequências da obesidade para a saúde são muitas e variam do risco aumentado de morte prematura a severas doenças não letais, conhecidas como comorbidade associadas à obesidade, além de problemas de natureza estética e psicológica.
 
Alguns autores enfatizam o fato de que a aumento na prevalência da obesidade, em diferentes grupos populacionais, está relacionada, preponderantemente, aos chamados fatores ambientais, em especial à dieta e à redução da atividade física. No estudo realizado na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP envolvendo cerca de 80 mulheres na pré-menopausa que apresentavam obesidade, 80% das participantes não praticava qualquer atividade física.
 
Outra etapa da pesquisa envolveu modelo experimental laboratorial, onde dois grupos de ratos foram submetidos ao consumo de ração normal, ou ração hiperlipídica (com alto teor de gordura). A ração hiperlipídica foi desenvolvida para ter composição nutricional semelhante ao padrão encontrado nos estudos preliminares com mulheres. Curiosamente, o grupo que consumiu dieta hiperlipídica ingeriu menor quantidade calórica total (cerca de 63kcal/dia) do que o grupo de controle (cerca de 75kcal/dia). No entanto, as calorias provenientes de gordura foram três vezes maior no grupo com ração hiperlipídica (cerca de 24kcal/dia), quando comparado com o controle (cerca de 8kcal/dia).
 
Os resultados mostraram que mesmo consumindo menor quantidade calórica total, o grupo que ingeriu mais gordura desenvolveu, não só obesidade, mas também intolerância à glicose (passo inicial no desenvolvimento do diabetes tipo 2).
 
O mais interessante é que este padrão de consumo alimentar também é facilmente encontrado nas pessoas que querem emagrecer; isto é, reduzem o total calórico ingerido principalmente, retirando carboidrato da dieta. Quem nunca viu e não conhece aquele famoso cardápio de quem quer emagrecer: grelhado com salada? Neste caso, as principais fontes de energia consumidas são: lipídeo (gordura) e proteína, e este é exatamente o padrão de ingestão nutricional da população obesa, brasileira e americana, alta ingestão de gordura e baixa em carboidrato.
 
Muitas vezes é preciso fazer uma avaliação mais minuciosa dos nossos hábitos alimentares para identificar o porquê de engordarmos, ou não emagrecermos. Não basta creditar a culpa em um único nutriente. Muitas vezes o problema não está no pão, mas na manteiga que passamos no pão; não está na massa, mas no molho branco e no queijo parmesão que acompanham a massa.
 
A retirada de carboidrato da dieta promove de fato perda de peso corporal. Isto ocorre porque o carboidrato é estocado em nosso corpo juntamente com a água. Assim, se restringirmos o consumo de carboidrato perderemos água. Basta lembrar da época da escola quando aprendemos que água não se mistura com gordura. Desta forma, ao perder água não perderemos gordura e sim massa magra, isenta de gordura.
 


Embora todos já saibam: mudar o estilo de vida, melhor os hábitos alimentares de forma sustentável, praticar atividade física regularmente serão ações muito mais eficientes e com efeitos mais duradouros, do que procurar um único culpado para a obesidade ou ainda uma fórmula mágica para perder em 1 mês o que se levou 5, ou 10 anos para ganhar!
 
 

Abaixo tomografia da região abdominal de mulher obesa, em destaque gordura visceral, ou omental .

Se quiser saber mais:
 
MONTEIRO, C.A.; CONDE, W.L.; POPKIN, B.M. The Burden of Disease From Undernutrition and Overnutrition in Countries Undergoing Rapid Nutrition Transition: A View From Brazil. Am. J. Public Health, Washington, v. 94, p. 433-434, 2004.
LANCHA-PEREIRA, L. O.Obesidade e resistência à ação da insulina: alterações moleculares, bioquímicas e estruturais -- São Paulo, Tese (Doutorado) - Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.
PEREIRA, L.O.; FRANCISCHI, R.P.; KLOPFER, M.; PERROTI, A.C.; CAMPOS, P.L.; SAWADA, L.A.; COSTA, S.R.; LANCHA JR., A.H. Different intensities of physical activities with or without hypocaloric diet: effects on body composition, food consumption and plasmatic profile in obese women. Med. Sci. Sports Exerc., Madison, v. 30, p. S238, 1998.
 
PEREIRA, L.O. Protocolo de indução de obesidade em ratas a partir do perfil de ingestão alimentar de mulheres obesas brasileiras. Campinas. Tese (Mestrado) - Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, 2003a.
 
PEREIRA, L.O.; FRANCISCHI, R.P.; LANCHA JR., A.H. Obesidade: hábitos nutricionais, sedentarismo e resistência à insulina. Arq. Bras. Endocrinol. Metabol., São Paulo, v. 47, p. 117-127, 2003b.
 
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Obesity - preventing and managing the global epidemic. Geneva: WHO, 1998. (Report of a WHO Consultation on Obesity).
 

Por Luciana O. P. Lancha às 08h20

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Sobre os autores

Ana Carolina Garcia

Graduação em Nutrição - USP, especialista em Nutrição Aplicada ao Exercício Físico pela Escola de EEFE - USP e especialista em Nutrição Humana Aplicada e Terapia Nutricional pelo IMeN. Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Antonio Herbert Lancha Jr.

Graduação em Educação Física – USP Especialização em Fisiologia do Exercício – UNESP Mestrado e Doutorado em Nutrição Experimental – USP Pós- Doutorado em Medicina Interna – Washington University Professor Titular de Nutrição Aplicada à Atividade Física – USP Coordenador do Grupo de Nutrição do Vita Diretor da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Camila Freitas

Graduação em Nutrição - USP

Pós-Graduação em Gastronomia

Responsável pela área de nutrição das academias Reebok (SP)

Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Carla di Pierro

Graduação em Psicologia - PUC SP

Especialização em Psicologia do Esporte - Instituto Sedes Sapientiae

Especialização em Clínica Analítico Comportamental - Núcleo Paradigma

Aprimoramento em Terapia Comportamental Cognitiva - Amban HCFMUSP

Psicóloga da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Desire F. Coelho

Graduação em Nutrição - Centro Universitário São Camilo

Graduação em Esporte - USP

Mestrado em Educação Física - USP

Doutoranda pelo Instituto de Ciências Biomédicas - USP

Aprimorando em Transtorno Alimentar pelo AMBULIM HC-FMUSP

Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Luciana O. P. Lancha

Graduação em Nutrição e Esporte – USP Mestrado em Bioquímica – UNICAMP Doutorado em Ciências Biomédicas - USP Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Luiz Augusto Riani Costa

Graduação em Medicina – UNICAMP

Pós-graduação em Medicina Esportiva e Fisiologia do Exercício – USP

Doutorando em Fisiopatologia – EEFE/HCFMUSP

Diretor Clínico do setor de Cardiologia dos Laboratórios

Diagnósticos da América (DASA)

Fisiologista do Vita

Médico da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Marco D. Leme

Graduação em Nutrição - Centro Universitário São Camilo

Graduação em Eng. de Alimentos - Instituto Mauá de Tecnologia

Nutricionista do Grupo de DOR - IOT HCFMUSP e da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Patrícia Campos-Ferraz

Graduação em Nutrição – USP

Mestrado em Ciências dos Alimentos – USP

Doutorado em Biologia Funcional e Molecular pela UNICAMP

Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Renata C. Sardinha

Graduação em Nutrição - Centro Universitário São Camilo. Nutricionista do Bio Menu Congelados Saudáveis


Rodrigo Ferraz

Graduação em Educação Física - USP

Especialização em Treinamento Desportivo - UNIFESP/EPM

Especialista em Prevenção de Lesão e Treinamento em Pacientes Oncológicos

Preparador Físico da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida