Bio Menu

Busca

Sobre o blog

Alimentar-se representa muito mais que apenas ingerir carboidratos, lipídios, proteinas, vitaminas e minerais. Significa relação social, afinal as pessoas comemoram, prazer, indulgencia etc. Neste Blog temos por objetivo discutir todas as faces dos nutrientes e como podemos estabelecer uma ingestão alimentar saudável sem abrir mão do prazer. Com isso pretendemos propor a você pequenas mudanças que farão diferenças importantes na sua vida, venha conosco.

Categorias

Histórico

17/04/2010

Reportagem tenta polemizar sobre creatina

Neste sábado ao ler um dos jornais de grande circulação no Estado de São Paulo, me deparei com uma matéria sobre creatina. A chamada de primeira página dizia: “liberada, creatina pode trazer riscos”. Na capa do caderno interno a manchete destacava: “Volta da creatina reascende a polêmica”.

Meu espanto se deu ao verificar que no texto as autoras diziam em determinado ponto: ...“levando vários especialistas a alertar sobre os riscos do consumo indiscriminado”.

Passei a ler o artigo buscando os especialistas e a possível polêmica ventilada pelo artigo. Qual foi minha surpresa que os especialistas anunciados são profissionais de saúde cada qual com sua competência em respectiva área de atuação porém, nenhum artigo científico foi apresentado.

As autoras relatam risco à função renal. Pois bem apresento minhas considerações mostrando a superficialidade da matéria.

 

Em estudo iniciado em nosso laboratório em 2006 e publicado em 2008 (Effects of creatine supplementation on renal function: a randomized, double-blind, placebo-controlled clinical trial. B Gualano, C Ugrinowitsch, RB Novaes, GG Artioli, MH Shimizu, AC Seguro, RC Harris, and AH Lancha Jr Eur J Appl Physiol, May 2008; 103(1): 33-40), suplementamos indivíduos saudáveis por 12 semanas com 10 gramas de creatina por dia. Este estudo foi desenvolvido pelo nosso laboratório em parceria com pesquisadores da Nefrologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo e uma das maiores autoridades em creatina mundial Professor Roger Harris. Nesse estudo foi constado por meio do “clearence de cistatina C” (técnica bastante precisa em avaliar a função renal) que os indivíduos que fizeram o consumo de creatina não tiveram alteração da função renal. Ao ler a matéria procurei o nome de algum especialista em Nefrologia, porém não encontrei.

Este estudo foi um dos que foram desenvolvidos em nosso grupo. Porém, para não deixar dúvidas, no ano passado desenvolvemos outro estudo (Effect of short-term high-dose creatine supplementation on measured GFR in a young man with a single kidney. B Gualano, DC Ferreira, MT Sapienza, AC Seguro, and AH Lancha Jr Am J Kidney Dis, Mar 2010; 55(3): e7-9) com atleta que havia perdido um rim no passado. Este indivíduo foi suplementado por 5 dias com 20 gramas de creatina, seguido de 30 dias com 5 g por dia de creatina e sua função renal foi monitorada durante todo o período pela técnica do “clearance de EDTA” (padrão ouro de avaliação da função renal). Novamente este estudo foi desenvolvido pelo nosso grupo em parceria com o professores da Medicina Nuclear da Faculdade de Medicina da USP. O resultado após a intervenção foi a não alteração da função renal deste indivíduo.  

 

Mais recentemente, enviamos para publicação artigo resultante da Tese de Doutorado do Professor Bruno Gualano, defendido a menos de um mês na Escola de Educação Física e Esporte da USP junto ao programa de Pós-Graduação da referida Escola que possui nível 6 da CAPES-MEC (a escala vai de 1 a 7 sendo 6 e 7 considerados padrões internacionais de Pós-Graduação - www.capes.gov.br). Esta tese foi desenvolvida junto a pacientes diabéticos sendo os mesmos suplementados com creatina. A origem desta investigação se deu por dois motivos: 1) em 2008 publicamos artigo demonstrando que a suplementação de creatina promove melhora da sensibilidade a insulina, ou seja facilita a captação de glicose com menor demanda de insulina (Effects of creatine supplementation on glucose tolerance and insulin sensitivity in sedentary healthy males undergoing aerobic training. B Gualano, RB Novaes, GG Artioli, TO Freire, DF Coelho, FB Scagliusi, PS Rogeri, H Roschel, C Ugrinowitsch, and AH Lancha Jr
Amino Acids, Feb 2008; 34(2): 245-50) e 2) o paciente diabético, normalmente apresenta comprometimento de sua função renal ao longo da doença.

Assim, este estudo foi conduzido e na banca de avaliação da tese do Professor Bruno Gualano participaram, além de mim como seu orientador, outros quatro membros, todos médicos da Faculdade de Medicina da USP das disciplinas: Nefrologia, Endocrinologia e Reumatologia. Todos, em uníssono, reverenciaram a importância deste estudo pois a creatina melhorou a sensibilidade à insulina dos pacientes e o que é melhor, sem comprometer a função renal.

Assim, considero o texto apresentado pelo jornal uma oportunidade perdida visto que as informações que trago aqui não são privilégios meus por ser professor e pesquisador da Universidade de São Paulo. Pelo contrário, essas informações são públicas e disponíveis na rede em bibliotecas eletrônicas de diversas universidade do mundo.  Quando li a chamada pensei: polemica = posições divergentes na ciência. Encontrei um texto raso, sem base científica.

 

Por Antonio Herbert Lancha Jr. às 17h58

15/04/2010

Uso integral dos alimentos

 Ao preparar uma refeição, você costuma desprezar o talo do brócolis ou a casca da melancia?

Pois saiba que perdemos muitos nutrientes ao desperdiçar essas partes do alimento não tradicionalmente consumidas e que, utilizando a criatividade, podemos variar o cardápio diário com baixo custo e muito sabor, além de reduzir a produção de lixo. 

Veja alguns exemplos: 

Ü As folhas e os talos podem ser utilizados no preparo de refogados, bolinhos, tortas, sopas, patês, panquecas, conservas etc. Experimente utilizar folhas de cenoura, nabo, beterraba, couve-flor, rabanete, brócolis, uva, salsão e talos de couve, beterraba, agrião, acelga, espinafre; 

Ü As cascas podem ser preparadas em compotas, conservas, geléias, sucos, pudins, aperitivos, bolos etc. Teste as cascas de chuchu, abóbora, laranja, banana, maracujá, mamão, tangerina, abacaxi, melão e melancia; 

Ü Caroços e sementes podem ser usados como aperitivos, bolos, tortas salgadas etc. Sementes de jaca, melão e abóbora são alguns exemplos. 

Use sua criatividade e aproveite os alimentos de forma integral!

Faz bem para a saúde, para o bolso e para o meio ambiente!

 

Receita: Doce de Casca de Mamão 

Ingredientes:

- Casca de 6 mamões maduros e lavados

- 3 ½ xícaras de chá de açúcar  

Modo de Preparo:

Deixe de molho na água as cascas dos mamões de um dia para o outro. Pique as cascas, coloque numa panela e deixe ferver, trocando a água de uma fervura para outra. Na quarta fervura, cozinhe por 10 minutos. Deixe esfriar, bata no liquidificador adicionando 1 xícara de água. Passe na peneira. Leve ao fogo com o açúcar até dar o ponto (quando se desprender do fundo da panela). 

Tempo de preparo: 90 min (sem contar o preparo da véspera).  

Importância Nutricional: rico em fibras solúveis, auxilia no controle do colesterol sanguíneo e funcionamento intestinal. 

 

Para mais dicas e receitas, acesse o site:

http://www.bancodealimentos.org.br/por/receitas/index.htm

 

Por Camila Freitas às 12h06

12/04/2010

Câncer e carboidrato de alto índice glicêmico

Em setembro passado fizemos diversas visitas a pesquisadores que trabalham com nutrição e câncer. Alguns textos e livros começaram a surgir afirmando que carboidratos de alto índice glicêmico principalmente poderiam causar câncer. Índice glicêmico, de forma simplificada, corresponde à alteração que o carboidrato consumido ocasiona na glicemia, sendo assim, carboidrato de alto índice glicêmico provoca elevação significativa da quantidade de glicose no sangue (glicemia).

Em busca de mais informações começamos nova visita com Dra. Dominique Michaud, formada em Saúde Pública pela Harvard, foi professora associada da Harvard, foi pesquisadora do Instituto Nacional de Câncer dos EUA e hoje está no Imperial College of London.

Dra. Dominique estuda câncer, principalmente de pâncreas e consumo de carboidrato de alto índice glicêmico.  Ela coloca que alguns anos atrás ela realizou estudo onde demonstrou que ratos, com câncer de pâncreas, tinham este câncer evoluído de forma mais rapidamente, quando eram mantidos sedentários e submetidos à dieta rica em carboidrato de alto índice glicêmico. No entanto, o grupo de animais que tinha câncer, comia carboidrato de alto índice glicêmico, mas era exercitado, não teve o crescimento do tumor acelerado por este tipo de carboidrato. Ela afirma que este resultado não é suficiente para dizer que o carboidrato de alto índice glicêmico provoca o crescimento de células cancerígenas, principalmente porque, segundo ela mesma, nenhum outro pesquisador foi capaz de replicar estes dados, isto é, só ela mostrou esta relação de câncer de pâncreas e carboidrato de alto índice glicêmico. Segundo a Dra. Dominique, os estudos têm demonstrado que o consumo de carboidrato só acelera o crescimento de células cancerígenas em animais, ou humanos obesos, sedentários e diabéticos.

Segundo ela, mais estudos são necessários para comprovar a relação de carboidrato e câncer de pâncreas, mas ela afirma que o carboidrato de alto índice glicêmico por si só não é capaz de iniciar o processo de formação de células cancerígenas.

 

Fonte: Richard Béliveaus e Denis Gingras.

A formação destas células pode ocorrer por diversos fatores dos quais alguns são comprovados como fumo, irradiação, obesidade, fatores genéticos, consumo freqüente de carne vermelha e defumados. O que os estudos têm tentado demonstrar é se este tipo de carboidrato acelera o crescimento das células cancerígenas, mas não o aparecimento do câncer.

Quando foi questionada sobre qual a opinião dela em relação ao consumo de carboidratos em indivíduos fisicamente ativos, a Dra. Dominique afirmou que nestes casos deve-se utilizar o carboidrato como fonte de energia na dieta e carboidrato de alto índice glicêmico durante e após a atividade física, por duas razões:

1)      O glicogênio muscular e hepático (forma com que o carboidrato é estocado no organismo) são fundamentais para a prática de atividade física;

2)      Uma vez que só temos três nutrientes que podem fornecer energia: proteína, gordura e carboidrato, se deixarmos de consumir o carboidrato, restará proteína e gordura. Para atingir a necessidade energética de atletas consumindo apenas proteína e gordura, A Dra. Dominique acredita que provavelmente corre-se o risco de provocar sobrecarga renal, pelo excesso de proteína e acúmulo de adiposidade corporal pelo excesso de gordura na dieta, uma vez que a quantidade a ser ingerida destes dois nutrientes teria que ser alta para suprir a falta de energia proveniente de carboidrato.

Como um exemplo da explicação acima, ela relatou estudos realizados com trabalhadores rurais americanos que ingerem grande quantidade de refrigerante (com alto teor de açúcar-alto índice glicêmico), mas apresentam baixa adiposidade corporal e baixa incidência de câncer; segundo ela pela elevada atividade física que realizam durante seu trabalho. Por outro lado, trabalhadores urbanos, que consumiram menor quantidade de refrigerante apresentaram maior incidência de câncer, provavelmente por fatores como baixa exigência física na sua atividade profissional e maior índice de estresse.

Para quem quiser mais informações seguem algumas referências:

Dietary Glycemic Index, Glycemic Load, and Risk of Cancer: A Prospective Cohort Study Stephanie Materese George, Susan T. Mayne, Michael F. Leitzmann, Yikyung Park, Arthur Schatzkin, Andrew Flood, Albert Hollenbeck and Amy F. Subar Am. J. Epidemiol., Feb 2009; 169: 462 - 472.

Physical Activity and Pancreatic Cancer Risk: A Systematic Review
Ying Bao and Dominique S. Michaud. Cancer Epidemiol. Biomarkers Prev., Oct 2008; 17: 2671 - 2682.

Adiposity, Physical Activity, and Pancreatic Cancer in the National Institutes of Health–AARP Diet and Health Cohort. Rachael Z. Stolzenberg-Solomon, Kenneth Adams, Michael Leitzmann, Catherine Schairer, Dominique S. Michaud, Albert Hollenbeck, Arthur Schatzkin, and Debra T. Silverman. Am. J. Epidemiol., Mar 2008; 167: 586 - 597.

Body Mass Index, Physical Activity, and Bladder Cancer in a Large Prospective Study. Corinna Koebnick, Dominique Michaud, Steven C. Moore, Yikyung Park, Albert Hollenbeck, Rachel Ballard-Barbash, Arthur Schatzkin, and Michael F. Leitzmann. Cancer Epidemiol. Biomarkers Prev., May 2008; 17: 1214 - 1221.

A food pattern that is predictive of flavonol intake and risk of pancreatic câncer.Ute Nöthlings, Suzanne P Murphy, Lynne R Wilkens, Heiner Boeing, Matthias B Schulze, H Bas Bueno-de-Mesquita, Dominique S Michaud, Andrew Roddam, Sabine Rohrmann, Anne Tjønneland, Francoise Clavel-Chapelon, Antonia Trichopoulou, Sabina Sieri, Laudina Rodriguez, Weimin Ye, Mazda Jenab, and Laurence N Kolonel. Am. J. Clinical Nutrition, Dec 2008; 88: 1653 - 1662.

Added sugar and sugar-sweetened foods and beverages and the risk of pancreatic cancer in the National Institutes of Health–AARP Diet and Health Study. Ying Bao, Rachael Stolzenberg-Solomon, Li Jiao, Debra T Silverman, Amy F Subar, Yikyung Park, Michael F Leitzmann, Albert Hollenbeck, Arthur Schatzkin, and Dominique S Michaud. Am. J. Clinical Nutrition, Aug 2008; 88: 431 - 440.

Por Luciana O. P. Lancha às 07h56

Ir para UOL Ciência e Saúde

Sobre os autores

Ana Carolina Garcia

Graduação em Nutrição - USP, especialista em Nutrição Aplicada ao Exercício Físico pela Escola de EEFE - USP e especialista em Nutrição Humana Aplicada e Terapia Nutricional pelo IMeN. Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Antonio Herbert Lancha Jr.

Graduação em Educação Física – USP Especialização em Fisiologia do Exercício – UNESP Mestrado e Doutorado em Nutrição Experimental – USP Pós- Doutorado em Medicina Interna – Washington University Professor Titular de Nutrição Aplicada à Atividade Física – USP Coordenador do Grupo de Nutrição do Vita Diretor da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Camila Freitas

Graduação em Nutrição - USP

Pós-Graduação em Gastronomia

Responsável pela área de nutrição das academias Reebok (SP)

Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Carla di Pierro

Graduação em Psicologia - PUC SP

Especialização em Psicologia do Esporte - Instituto Sedes Sapientiae

Especialização em Clínica Analítico Comportamental - Núcleo Paradigma

Aprimoramento em Terapia Comportamental Cognitiva - Amban HCFMUSP

Psicóloga da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Desire F. Coelho

Graduação em Nutrição - Centro Universitário São Camilo

Graduação em Esporte - USP

Mestrado em Educação Física - USP

Doutoranda pelo Instituto de Ciências Biomédicas - USP

Aprimorando em Transtorno Alimentar pelo AMBULIM HC-FMUSP

Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Luciana O. P. Lancha

Graduação em Nutrição e Esporte – USP Mestrado em Bioquímica – UNICAMP Doutorado em Ciências Biomédicas - USP Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Luiz Augusto Riani Costa

Graduação em Medicina – UNICAMP

Pós-graduação em Medicina Esportiva e Fisiologia do Exercício – USP

Doutorando em Fisiopatologia – EEFE/HCFMUSP

Diretor Clínico do setor de Cardiologia dos Laboratórios

Diagnósticos da América (DASA)

Fisiologista do Vita

Médico da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Marco D. Leme

Graduação em Nutrição - Centro Universitário São Camilo

Graduação em Eng. de Alimentos - Instituto Mauá de Tecnologia

Nutricionista do Grupo de DOR - IOT HCFMUSP e da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Patrícia Campos-Ferraz

Graduação em Nutrição – USP

Mestrado em Ciências dos Alimentos – USP

Doutorado em Biologia Funcional e Molecular pela UNICAMP

Nutricionista da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida


Renata C. Sardinha

Graduação em Nutrição - Centro Universitário São Camilo. Nutricionista do Bio Menu Congelados Saudáveis


Rodrigo Ferraz

Graduação em Educação Física - USP

Especialização em Treinamento Desportivo - UNIFESP/EPM

Especialista em Prevenção de Lesão e Treinamento em Pacientes Oncológicos

Preparador Físico da Nutriaid Consultoria em Qualidade de Vida